Com a mudança de hábitos alimentares que surgiu nas últimas décadas, é comum que as pessoas deixem de comer certos alimentos que são ricos em nutrientes e indispensáveis à saúde humana. Esses maus hábitos acarretam em diminuição das reservas orgânicas de nutrientes causando deficiências de micronutrientes. Está é a fome oculta.
Nosso organismo necessita de uma série de nutrientes para exercer todas as suas funções metabólicas. A água, os carboidratos, proteínas, gorduras, vitaminas e minerais entre outros. No caso da fome oculta, trata-se de uma carência não explícita de um ou mais micronutrientes no organismo, sendo atualmente identificada como o problema nutricional mais prevalente no mundo. Neste estado os estoques de vitaminas e minerais diminuem silenciosamente, sem apresentar sinais nem sintomas, os quais, só ficam evidentes, quando o estágio mais grave da deficiência está instalado.
Nos seres humanos, essa carência não apresenta sintomas aparentes em curto prazo. Entretanto, a médio e longo prazo aumentam os riscos para desenvolver doenças como osteoporose, câncer, diabetes, problemas cardiovasculares, hipertensão, envelhecimento precoce, além de toda sua expressão em estresses fisiológicos, processos infecciosos (gripes e resfriados) e alterações de comportamento (desânimo, mau-humor, irritabilidade) que só aumentam a necessidade desses elementos ausentes, mas que muitas vezes não são repostos pelo fato de não ser detectada essa correlação entre carências nutricionais e distúrbios físico-psíquicos. Uma situação de estresse nutricional, por exemplo, acaba potencializando as tendências genéticas específicas de uma pessoa para desenvolver certas enfermidades.
As deficiências de vitaminas e minerais ocorrem devido a três fatores:
Ingestão de quantidade inadequada de alimentos;
Ingestão de dieta inadequadamente balanceada do ponto de vista qualitativo;
Aumento das necessidades de micronutrientes.
Entre os grupos de risco relacionados à fase de vida ou biológicos temos:
crianças em fase de crescimento, adolescentes, gestantes, lactentes e idosos. E entre os grupos relacionados ao estilo de vida, temos: tabagistas, consumidores de álcool, esportistas, pessoas em dieta para emagrecimento, submetidas ao estresse e com hábitos alimentares inadequados.
A estratégia para a prevenção da fome oculta deve ser baseada em três pontos:
Educação alimentar com promoção de dieta adequadamente balanceada;
Enriquecimento de alimentos com vitaminas e minerais;
Suplementações farmacológicas com polivitamínicos e minerais.
Essas três abordagens não se superpõem, mas se complementam. Assim, a suplementação pode ser considerada como uma forma de complementar a alimentação, mas não de substituí-la, aumentando a oferta de micronutriente, melhorando a qualidade da dieta e evitando que a fome oculta ou deficiência de vitaminas e minerais ocorra.
É possível ver que a base para a prevenção de muitas doenças é o que nós chamamos de nutrição saudável ou também de nutrição funcional, com uma alimentação variada, colorida e balanceada, rica em temperos naturais, leguminosas, oleaginosas (nozes, castanhas), cereais integrais, sementes (girassol, gergelim, linhaça), frutas e hortaliças. O foco principal deve ser os nutrientes que os alimentos contêm. Por isso vale lembrar das palavras de Hipócrates, considerado o pai da Medicina, que já dizia: “Faça do alimento o seu medicamento”
Prof. Drd. Carlos Simeão Júnior
CREF 6943-G/SP